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  • Foto do escritorGilvan Dametto

Resolução Espacial X Efeito de Volume Parcial em Pequenas Lesões: Estudo de Caso



Neste estudo de caso, quero demonstrar a importância que a resolução espacial tem na demonstração e elucidação de alterações relativamente pequenas em exames com estruturas grandes, como no caso de um abdômen, onde além de termos uma grande área para estudar, o que acarreta em maior tempo de aquisição, ainda possuímos as dificuldades relacionadas à respiração regular e ao tempo de apnéia para aquisições sem trigger respiratório.


Antes de descrever o caso em si, vamos a uma breve explicação do que é resolução espacial e efeito de volume parcial.


De uma forma resumida, a resolução espacial, é o poder de separar e distinguir dois pontos próximos. Já o efeito de volume parcial é o vilão da resolução espacial, pois é um efeito fantasma na imagem, que na maioria das vezes está relacionada a pequenas estruturas que acabam se "fundindo" e formando apenas uma que não representa o tamanho e a forma real dela ou até mesmo desaparecendo na aquisição final.


Efeito de volume parcial mostrando com uma lesão (círculo amarelo) pode até desaparecer numa imagem ou ser melhor demonstrada com o correto uso da espessura de corte e espaçamento.

Como podemos ver no teste realizado pelo Físico Alessandro Mazzola em um "phantom", é nítida a perda de definição em pontos pequenos nas aquisições com matriz baixa e pixel maior. onde a união dos pontos deu uma aparência linear e o formato também alterou, nas matrizes baixas aparentava ser circular, porém com resolução maior conseguimos ver que na realidade se tratava de uma estrutura quadrada, conforme demostra a imagem abaixo.


Aquisições do phantom 3DRAS para demonstrar o efeito do tamanho do pixel na resolução espacial.


Agora vamos ao caso supra citado!


Paciente do sexo feminino, 45 anos, chegou ao setor de Ressonância Magnética para avaliação de lesão hepática vista em ultrassom, provavelmente relacionada a um hemangioma hepático. O exame foi realizado com o protocolo de rotina básica do serviço, em um equipamento Siemens Essenza 1,5T com bobina Body Matrix de 6 canais. Porém no momento do laudo, o médico radiologista, verificou uma alteração de sinal na cauda do pâncreas, o qual ficou em dúvida, pois as sequências TSE T2 com sincronia respiratória, não haviam saído muito satisfatórias devido a respiração irregular da paciente.

Sequência T2 DIXON TSE com sincronia respiratória.

Parâmetros utilizados:

FOV: 400mmx300mm

MATRIZ: 384x202

SLICE: 6.0mm

Espaçamento: 1.2mm

VOXEL: 1.49 x 1.04 x 6.0mm


Como podemos perceber, a alteração era sutil, e, muito facilmente, podia ser confundida com artefato de respiração, artefato de fluxo ou mesmo efeito de volume parcial. Também foi difícil definir se estava localizada no fígado, baço ou pâncreas, ou ainda, se era uma alteração vista apenas em uma imagem axial nas ponderações T2.


A paciente foi reconvocada para realização de um complemento focando mais nessa região de interesse, aumentando a resolução espacial nas sequências TSE T2 e GRE T1, além de reforçar a importância de uma respiração constante e regular e de manter as apnéias para as sequências dinâmicas.

Sequência T2 DIXON TSE com sincronia respiratória.

Parâmetros utilizados:

FOV: 400mmx400mm

MATRIZ: 384x384

SLICE: 4.5mm

Espaçamento: 0.0mm

VOXEL: 1.04 x 1.04 x 4.5mm


Depois de todas essas mudanças de protocolo e de conduta com a paciente, conseguimos chegar neste resultado, onde ficou evidente a lesão de aproximadamente 1,0 cm no parênquima pancreático, com leve hipersinal em T2 e impregnação precoce pelo meio de contraste, tendo como principal possibilidade diagnóstica de lesão neuroendócrina de pâncreas.


Foi complementado o exame com uma sequência volumétrica SPACE T2, uma sequência de Colangio e um Coronal TSE DIXON T2.

Na subtração entre a aquisição pré contraste e a fase arterial, notamos uma impregnação pelo meio de contraste endovenoso e também uma restrição à difusão no valor de b800 que foi confirmado no mapa ADC.


Portanto podemos concluir que a resolução espacial é de suma importância para diagnosticar com precisão as lesões de tamanhos infracentimétricos e que estão principalmente localizadas em regiões com contato de vários órgãos que são afetados por movimento respiratório ou peristáltico. Além da resolução, também é importante cuidar o espaçamento entre os cortes, pois o valor setado no aparelho é a porcentagem da espessura de corte, portanto se já temos um SLICE de espessura alta, não podemos extrapolar nesta porcentagem de espaçamento, pois isso significa um espaço vazio ("gap") muito expressivo entre um corte e outro.


O papel do operador é fundamental para chegarmos neste resultado. Associar os conceitos de física da ressonância e dominar o aparelho que trabalhamos são fatores que agregam a qualidade final das imagens que serão entregues para o radiologista, que, por sua vez, também tem a grande responsabilidade de interpretar ou de sugerir um complemento focado como neste caso descrito.



Tec. Gilvan Júnior Dametto


Equipe MRIONLINE

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