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  • Foto do escritorAlessandro A. Mazzola

Como nosso cérebro responde a estímulos táteis nos genitais? Um estudo com fMRI a 7T

Atualizado: 20 de jun. de 2020

Traduzido e resumido por Ricardo Schneider Júnior!


Nossa experiência emocional é associada ao ato sexual e passa pela estimulação tátil da genitália externa, gerando sensações tanto discriminativas quanto afetivas. Uma das partes de nosso corpo que nos possibilita perceber e processar estímulos táteis é o encéfalo, mas ainda não é claro como o sinal aferente vindo da genitália é processado no sistema nervoso central.


Para aprofundar esta questão, foi conduzido um estudo no Centro Médico Erasmus, localizado em Rotterdam, Holanda. Foi verificado o resultado da estimulação tátil passiva do pênis comparada à estimulação nos pés, onde foram analisadas imagens obtidas por fMRI (ressonância magnética funcional) de 17 indivíduos do sexo masculino.


Mas antes, vamos entender como nosso sistema nervoso trabalha com percepções táteis.


Fisiologia da sensações


O corpo humano percebe o mundo, no aspecto tátil, através do sistema somatossensorial, onde existem os córtices somatossensoriais primário e secundário (S1 e S2), reconhecidos como as principais estruturas envolvidas no processamento das sensações do toque. Ou seja, através deles sentimos dor, prazer ou temperatura, por exemplo.


Durante anos, estudos investigando o toque genital em mulheres e homens têm se focado geralmente no córtex somatossensorial primário (S1), devido à localização intuitiva da genitália, sendo abaixo dos pés no homúnculo sensorial.


Com a RM podemos investigar se outras estruturas, além dos córtices S1 e S2, respondem em nosso sistema nervoso central a estímulos nas genitálias.


Então, como nosso cérebro responde?


Atualmente, o conhecimento neste campo é principalmente baseado em estudos usando eletroencefalografia (EEG), magnetoencefalografia (MEG) e ressonância magnética funcional (fMRI), de 1,5T ou 3T. Entretanto, estas técnicas possuem limitações de resolução espacial e sensibilidade, principalmente quando queremos analisar grupos de imagens ao mesmo tempo.


Para resultados mais apurados, o estudo foi realizado com fMRI 7T.


Primeiramente, a estimulação tátil nos pés (utilizando-se uma pequena escova) provocou a ativação de áreas responsáveis apenas pelo processamento discriminativo do estímulo tátil (por exemplo, de qual área está vindo o estímulo e quais as suas características de intensidade, temperatura, etc) como o córtex somatossensorial (S1 e S2), tálamo e cerebelo.


Análise individual dos padrões de ativação cortical de acordo com a região do estímulo (Azul: pé direito; Verde: pé esquerdo; Vermelho: corpo do pênis; Azul claro: sobreposição pênis/pé direito; Amarelo: sobreposição pênis/pé esquerdo).


Entretanto, o mesmo tipo de estímulo tátil, agora no pênis, foi capaz de evocar a ativação, não só de áreas responsáveis por processar estímulos táteis e de movimento no encéfalo, mas também de áreas responsáveis pelo componente emocional/afetivo do toque como ínsula, giro cingulado medial, córtex pré-frontal e tálamo, tanto na análise individual dos pacientes quanto em grupo.


Mapas de ativação de grupo, mostrando as vistas lateral, medial e superior. Uma seção coronal do modelo MNI (y = −36) é mostrada no canto inferior esquerdo, onde o processamento do estímulo no pênis está claramente localizado lateralmente ao dos pés em S1. Legenda no canto inferior direito, indicando códigos de cores específicos da tarefa (Azul: pé direito; Verde: pé esquerdo; Vermelho: corpo do pênis; Azul claro: sobreposição pênis/pé direito; Amarelo: sobreposição pênis/pé esquerdo.)



Através da fMRI 7T pôde-se verificar, portanto, que a distribuição do processamento encefálico do toque na genitália difere-se por estar relacionado a experiências emocionais/afetivas como o sexo.


O uso da ressonância magnética funcional foi capaz de esclarecer a representação neural das sensações, relativas à genitália externa masculina, com alta resolução espacial e anatômica, contribuindo assim, para a investigação do papel de estruturas encefálicas no processamento destas sensações, trazendo benefícios consideráveis em comparação às técnicas já usadas usadas tais como EEG, MEG e fMRI (1,5 e 3T).


Para conferir o estudo na íntegra, acesse:


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